Cetamina | AnesBase
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Revisado

Hipnóticos e sedativos

Cetamina

Anestésico dissociativo / antagonista não competitivo de NMDA

Nome comercial cadastrado: Cetamina racêmica (R,S-cetamina; cloridrato de cetamina), Ketalar® (marca histórica; disponibilidade depende do país), Ketamin NP® contém escetamina, e não cetamina racêmica

IMIN (off-label)
DosesMecanismoPK/PDEfeitosDiluiçãoInfusãoTCI/IACAjustesAlertasInteraçõesReferências
IV
VO

01 · Indução

Indução da anestesia geral — IV
Referências diferentes

Faixa prática

0,5–2 mg/kg IV (Miller); a bula permite 1–4,5 mg/kg IV, média 2 mg/kg, administrada lentamente.

Miller

0,5–2 mg/kg IV

Barash

Incrementos de 0,25–1 mg/kg IV; faixa completa pendente

DailyMed / bula oficial

1–4,5 mg/kg IV; média 2 mg/kg, administrada ao longo de aproximadamente 60 segundos

  • Administrar lentamente; injeção rápida ou dose elevada aumenta risco de depressão respiratória.
  • Não selecionar automaticamente a faixa superior.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

dose em mg/kg × peso = dose em mg

02 · Indução IM

Indução da anestesia geral — IM
Referências diferentes

Faixa prática

4–6 mg/kg IM (Miller); bula: 6,5–13 mg/kg IM.

Miller

4–6 mg/kg IM

DailyMed / bula oficial

6,5–13 mg/kg IM; 9–13 mg/kg produz aproximadamente 12–25 min de anestesia cirúrgica

Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

dose em mg/kg × peso = dose em mg

03 · Manutenção

Manutenção — bolus intermitente
Referências diferentes

Faixa prática

0,5–1 mg/kg IV no contexto Miller; bula permite repetir metade a uma dose de indução conforme necessidade.

Miller

0,5–1 mg/kg IV com 50% N₂O

DailyMed / bula oficial

Repetir metade a uma dose de indução conforme necessidade

  • Doses suplementares prolongam recuperação.
  • A dose da bula não deve ser tratada como alvo automático.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

dose em mg/kg × peso = dose em mg

04 · Manutenção / bomba

Manutenção — infusão manual
Referências diferentes

Faixa prática

15–45 mcg/kg/min com N₂O ou 30–90 mcg/kg/min sem N₂O (Miller).

Miller

15–45 mcg/kg/min com N₂O; 30–90 mcg/kg/min sem N₂O

DailyMed / bula oficial

0,1–0,5 mg/min em adultos

  • A bula também descreve infusão adulta fixa de 0,1–0,5 mg/min; não confundir com dose por kg.
  • Converter para mL/h somente após confirmar concentração final.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

mg/mL

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

Bomba

Informe a concentração

mcg/kg/min × peso × 60 ÷ 1000 = mg/h

05 · Sedação monitorizada

Sedação / anestesia dissociativa
Referências diferentes

Faixa prática

0,2–0,8 mg/kg IV lentamente ou 2–4 mg/kg IM, conforme contexto e fonte.

Miller

0,2–0,8 mg/kg IV em 2–3 min ou 2–4 mg/kg IM

Barash

0,25–0,5 mg/kg IV; incrementos 0,25–1 mg/kg IV, 2–4 mg/kg IM e 4–6 mg/kg VO em contextos descritos

  • Sedação é contínuo de profundidade; manter capacidade de resgate de via aérea.
  • Não extrapolar doses VO/IN ou pediátricas sem protocolo específico.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

dose em mg/kg × peso = dose em mg

06 · Dor aguda perioperatória

Analgesia aguda subanestésica
Guideline externo

Dose consolidada

Bolus até 0,35 mg/kg IV; infusão geralmente até 1 mg/kg/h fora de ambiente intensivo, conforme consenso.

Faixa prática

0–0,35 mg/kg IV em bolus e 0–1 mg/kg/h IV como limites do consenso, não como alvo automático.

ASRA/AAPM/ASA 2018

Bolus até 0,35 mg/kg IV; infusão geralmente até 1 mg/kg/h em ambiente sem monitorização intensiva

  • O consenso apoia considerar em cirurgia dolorosa e tolerância a opioides; a força da evidência varia.
  • Dose subanestésica ainda requer monitorização, equipe e seleção de paciente.
  • Não usar os limites como prescrição universal ou protocolo de titulação.
  • Gestação, psicose ativa, doença cardiovascular mal controlada e doença hepática grave/moderada exigem triagem específica.
Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

mg/mL

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

Bomba

Informe a concentração

mg/kg/h × peso = mg/h

07 · Adjuvante analgésico

Analgesia preventiva / baixa dose
Disponível no Miller

Faixa prática

0,15–0,25 mg/kg IV (Miller).

Miller

0,15–0,25 mg/kg IV

Calculadora
kg

Entrada local para este cálculo.

Resultado calculado

Informe o peso

Nenhum cálculo é executado sem uma entrada válida.

dose em mg/kg × peso = dose em mg

08 · Uso off-label / literatura

Vias oral e intranasal
Pendente de revisão clínica

Dose consolidada

Sem faixa automática: biodisponibilidade, formulação, indicação e evidência variam; escetamina intranasal psiquiátrica não é equivalente à cetamina racêmica anestésica.

Revisão farmacocinética

Vias não parenterais descritas; dose clínica automática não cadastrada

  • Não converter doses entre cetamina racêmica e escetamina.
  • Não extrapolar dose IV para VO ou intranasal.

Mecanismo em movimento

Do alvo ao efeito de Cetamina.

A sequência visual organiza o mecanismo já revisado no banco. O conteúdo farmacológico completo permanece logo abaixo.

Ir para conteúdo
GlutamatoNMDABloqueioDissociaçãoGlutamatoNMDABloqueioDissociação
01

receptor/canal

NMDA

↓ transmissão glutamatérgica e dissociação

02

Transdução

O sinal muda

↓ influxo de Ca²⁺/Na⁺ e transmissão glutamatérgica

03

Efeito clínico

Analgesia

Produz anestesia dissociativa principalmente por reduzir a neurotransmissão excitatória glutamatérgica; a cetamina racêmica contém os enantiômeros R e S.

04

Mesmo mecanismo, outro contexto

Benefício e risco coexistem

Fenômenos de emergência e alucinações

Revisado e publicadoMiller + Barash

Mecanismo de ação

Produz anestesia dissociativa principalmente por reduzir a neurotransmissão excitatória glutamatérgica; a cetamina racêmica contém os enantiômeros R e S.

DosesAlertasComparar mecanismos
AlvoNMDA
Transdução↓ Ca²⁺/Na⁺
ResultadoDissociação/analgesia
Diagrama esquemático original; não representa escala anatômica ou molecular.
Alvo e mecanismo primário

Antagonismo não competitivo e não seletivo do receptor NMDA em canais ativados, reduzindo a transmissão excitatória.

receptor/canal

NMDA · antagonista não competitivo

↓ transmissão glutamatérgica e dissociação. Analgesia

Vias e sítios de ação
Alertas de segurança ligados ao mecanismo
  • Reflexos preservados não garantem via aérea protegida; ventilação, oxigenação e resgate continuam necessários.
  • Não presumir estabilidade hemodinâmica em choque/depleção catecolaminérgica.
  • Uso recorrente requer atenção a lesão hepatobiliar, cistite e potencial de abuso.

Referências do mecanismo

3 referênciasMillerDailyMedZanos et al. 2018
Efeitos clínicos por sistema

Cardiovascular

Bula oficial

Em geral aumenta pressão arterial, frequência cardíaca e débito cardíaco por ativação simpática. Hipotensão, arritmias e descompensação também foram descritas. Em depleção de catecolaminas ou baixa reserva miocárdica, o efeito inotrópico negativo direto pode tornar-se clinicamente relevante; não presumir estabilidade hemodinâmica universal.

Warnings and Precautions; Clinical Pharmacology — Cardiovascular System

Respiratório

Bula oficial

A ventilação espontânea costuma ser relativamente mais preservada do que com hipnóticos GABAérgicos, mas depressão respiratória e apneia podem ocorrer após administração rápida ou doses elevadas. Laringoespasmo, obstrução e aumento de secreções são possíveis; reflexos faríngeo-laríngeos não garantem proteção contra aspiração.

Warnings and Precautions — Respiratory Depression; Adverse Reactions

Neurológico / SNC

Bula oficial

Produz estado dissociativo com analgesia, amnésia e catalepsia. Nistagmo, aumento de tônus/movimentos e reações de emergência podem ocorrer. A bula relata elevação de pressão intracraniana; evidência clínica moderna em pacientes ventilados/sedados não demonstra aumento consistente, portanto a decisão deve ser contextual.

Clinical Pharmacology; Warnings and Precautions; Adverse Reactions

Renal / hepático

Bula oficial

Metabolismo hepático gera norketamina ativa; metabólitos são eliminados principalmente na urina. Uso recorrente foi associado a disfunção hepatobiliar/colangiopatia e cistite, inclusive em abuso. Monitorar função hepática quando houver administração recorrente; não há algoritmo universal de ajuste renal quantitativo validado cadastrado.

Clinical Pharmacology — Pharmacokinetics; Warnings and Precautions — Drug-Induced Liver Injury; Genitourinary Pain

Farmacocinética e farmacodinâmica

Início de ação

Bula oficial

Após administração IV ao longo de aproximadamente 60 segundos, a anestesia cirúrgica ocorre em cerca de 30 segundos. Após IM, o início é mais lento e depende da dose e do contexto.

Dosage and Administration — Induction of Anesthesia

Pico

Artigo científico

O efeito clínico máximo após bolus acompanha a rápida distribuição cerebral; não foi localizado um único tempo de pico aplicável a todas as vias e regimes. Interpretar início e pico conforme via, velocidade de injeção e associação.

Pharmacokinetics by route and dose

Duração

Bula oficial

Uma dose IV média de 2 mg/kg administrada lentamente produz aproximadamente 5–10 minutos de anestesia cirúrgica; 9–13 mg/kg IM produz aproximadamente 12–25 minutos. A duração aumenta com doses adicionais e varia com contexto e associação.

Diluição e preparo

Diluição IV a 1 mg/mL

Bula oficial

1 mg/mL

Adicionar 10 mL de cetamina 50 mg/mL (500 mg) a 500 mL de SF 0,9% ou SG 5%, conforme bula consultada.

Conferir concentração original, volume final, compatibilidade local e rotulagem. Não tratar como protocolo institucional universal.

Diluição IV a 2 mg/mL

Bula oficial

2 mg/mL

Transferir 500 mg de cetamina (10 mL da apresentação 50 mg/mL ou 5 mL da apresentação 100 mg/mL) para 250 mL de SF 0,9% ou SG 5%, conforme bula consultada.

A apresentação de 100 mg/mL deve ser diluída antes do uso IV. Conferir produto, concentração e rotulagem.

Infusão e bomba manual

As calculadoras vinculadas às doses mostram fórmula, peso, concentração e conversão para mL/h. Diluições institucionais somente aparecem quando possuem protocolo ou fonte vinculada.

Abrir calculadora de bomba

TCI / IAC

Infusão alvo-controlada

Modelos Domino, Clements e Hijazi foram usados/avaliados para infusão controlada, mas a TCI de cetamina não é rotina na maioria dos sistemas.

Modelo PK/PD descritoModelos PK revisados · uso não rotineiro

Como interpretar

Os modelos estimam concentração plasmática; a precisão depende de dose e população. Um modelo publicado não equivale a indicação ou disponibilidade comercial.

Cp, Ce e mL/h

Cp é a concentração plasmática estimada; Ce é a concentração estimada no sítio efetor. Nenhuma delas deve ser convertida diretamente em mL/h.

Modelos TCI revisados

2 modelos

Domino

Cetamina

Revisado
Cp3 compartimentosPK
Alvo
Cp · ng/mL

Concentração plasmática alvo

População principal
Adultos cirúrgicos em doses anestésicas; posteriormente testado em baixa dose.

Covariáveis

peso

Limitação principal

Desempenho subótimo em baixa dose e ausência de covariáveis amplas.

Ver detalhesRecolher detalhes
Populações especiais

Idoso

Não informado nas fontes cadastradas.

Obesidade

Não informado nas fontes cadastradas.

Pediatria

Não informado nas fontes cadastradas.

Limitações e evidência

Desempenho subótimo em baixa dose e ausência de covariáveis amplas.

Clements 250 foi melhor no estudo comparativo de baixa dose.

Desenvolvimento / validação

Adultos.

Avaliação em 58 voluntários com baixa dose mostrou inaccuracy e drift temporal.

Observações clínicas

Modelo descrito; uso TCI raro/não rotineiro.

Presente em alguns sistemas abertos, não universal.

Domino EF et al. Artigo original

Clements 250

Cetamina

Revisado
Cp2 compartimentosPK
Alvo
Cp · ng/mL

Concentração plasmática alvo

População principal
Voluntários adultos; bolus de 250 mcg/kg no estudo original.

Covariáveis

Sem covariável ampla cadastrada.

Limitação principal

Parâmetros fixos, duas compartimentos e ausência de covariáveis limitam individualização/infusão longa.

Ver detalhesRecolher detalhes
Populações especiais

Idoso

Não informado nas fontes cadastradas.

Obesidade

Não informado nas fontes cadastradas.

Pediatria

Não informado nas fontes cadastradas.

Limitações e evidência

Parâmetros fixos, duas compartimentos e ausência de covariáveis limitam individualização/infusão longa.

Melhor predição no cenário específico de baixa dose, sem benefício clínico demonstrado.

Desenvolvimento / validação

Adultos saudáveis.

Melhor desempenho preditivo no estudo de baixa dose de Absalom et al.

Observações clínicas

Modelo PK descrito.

Disponibilidade limitada.

Clements JA, Nimmo WS Artigo original

Há benefício de um modelo sobre outro?

No estudo de baixa dose, Clements 250 teve melhor desempenho preditivo que Domino/Hijazi; isso não demonstra benefício clínico superior.

Alertas obrigatórios

  • Estimativa, não mensuração: A TCI estima concentrações a partir de um modelo populacional; não mede a concentração real no paciente.
  • Cp e Ce não são equivalentes: Alvos plasmáticos e de sítio efetor não são intercambiáveis. Confirme o compartimento selecionado na bomba.
  • Confirme o modelo: Modelos diferentes podem administrar bolus e infusões diferentes para o mesmo valor-alvo.
  • População do modelo: Idosos, crianças, gestantes, pacientes críticos, obesos e extremos de peso exigem um modelo validado para a população e titulação conservadora.
  • Titulação clínica obrigatória: Titule pela resposta clínica e monitore ventilação, hemodinâmica e profundidade anestésica; TCI não substitui julgamento clínico.
  • Checagem do sistema: Verifique droga, concentração, seringa, linha venosa, bomba, modelo, alvo e unidade antes de iniciar.
  • Alvo não é mL/h: Não converta Cp ou Ce diretamente em mL/h. A bomba certificada calcula uma infusão variável conforme o modelo.

Referências TCI

2 referênciasMillerAbsalom et al., BJA 2007
Ajustes e populações especiais

Idoso

Bula oficial

A experiência regulatória em idosos é limitada. Selecionar a faixa inferior, titular lentamente e monitorizar hemodinâmica, ventilação e recuperação; não há percentual universal de redução validado.

Use in Specific Populations — Geriatric Use

Obesidade

Pendente de revisão

Não há descritor de peso universal validado para todos os regimes anestésicos e analgésicos. Evitar extrapolar automaticamente dose por peso total em obesidade; titular pelo efeito e pela monitorização.

Patient selection and dosing limitations

Insuficiência renal

Bula oficial

Não foi localizado algoritmo quantitativo de ajuste renal na bula consultada. Metabólitos são eliminados na urina; individualizar exposições repetidas e monitorizar recuperação sem correção automática.

Interações importantes

Simpatomiméticos e vasopressina

Alerta

Potencialização de efeitos simpáticos/hemodinâmicos.

Relevância: Hipertensão, taquicardia, arritmia e aumento de demanda miocárdica.

Conduta: Titular e monitorizar pressão, frequência, ritmo e isquemia quando clinicamente indicado.

Opioides, benzodiazepínicos e outros depressores do SNC

Crítico

Somação de sedação, depressão ventilatória e obstrução de via aérea.

Relevância: Sedação profunda, depressão respiratória, coma e morte são possíveis em associações não monitorizadas.

Conduta: Reduzir/titular conforme resposta e manter monitorização ventilatória e capacidade de resgate. Não assumir preservação de reflexos.

Relações clínicas

Monitorização relacionada

  • Capnografia
  • Pressão arterial
  • Eletrocardiografia
  • Oximetria
  • EEG processado / BIS

Técnicas relacionadas

  • TIVA manual
  • Sedação

Anestesias complexas relacionadas

  • Choque e sepse
  • Trauma

Referências e rastreabilidade

15 referênciasMillerBarashASRA+12
Apresentações e enantiômeros

Confirme se o produto contém cetamina racêmica ou escetamina. Produto, concentração, via e indicação não são intercambiáveis automaticamente.

Ketamin NP®

Brasil

Solução injetável · 50 mg/mL

Ampola de 2 mL descrita pelo fabricante

Cloridrato de escetamina; não é a mistura racêmica R,S-cetamina

Produto brasileiro consultado; não intercambiar mg por mg sem revisar a bula e o enantiômero

Ketamine Hydrochloride Injection (racêmica)

Estados Unidos

Solução injetável · 10 mg/mL

Frasco-ampola; apresentação exata varia pelo fabricante listado no DailyMed

Cloridrato de cetamina equivalente a 10 mg/mL de cetamina

Uso IV ou IM conforme bula dos EUA

Ketamine Hydrochloride Injection (racêmica)

Estados Unidos

Solução injetável concentrada · 100 mg/mL

Frasco-ampola; deve ser diluída antes de administração IV

Cloridrato de cetamina equivalente a 100 mg/mL de cetamina

Uso IM direto; para IV, diluir conforme bula

Ketamine Hydrochloride Injection (racêmica)

Estados Unidos

Solução injetável · 50 mg/mL

Frasco-ampola; apresentação exata varia pelo fabricante listado no DailyMed

Cloridrato de cetamina equivalente a 50 mg/mL de cetamina

Uso IV ou IM conforme bula dos EUA

Vias, uso e status regulatório
ViaUsoStatusFonte
IV / IMIndução e manutenção de anestesia conforme produto e ambiente com capacidade de suporte de via aérea.Aprovado na bula racêmica dos EUA consultadaDailyMed — Ketamine Hydrochloride Injection
VO / intranasalVias descritas em literatura para analgesia/sedação; formulação, biodisponibilidade e evidência são heterogêneas.Uso anestésico off-label da cetamina racêmica; sem dose automática publicada nesta revisãoRevisão farmacocinética por vias
Intranasal (escetamina)Formulação intranasal específica para indicação psiquiátrica; não é apresentação anestésica de cetamina racêmica.Indicação regulatória própria; não converter para dose anestésicaFDA Spravato label 2024
Contextos clínicos e controvérsias

Cetamina racêmica, escetamina e arketamina

Artigo científico

A cetamina racêmica contém os enantiômeros R e S. A escetamina é o enantiômero S e tem aproximadamente o dobro da potência anestésica/analgésica da mistura racêmica em revisões farmacológicas; não é intercambiável mg por mg sem fonte específica.

  • •Ketamin NP® brasileiro consultado contém escetamina, não a mistura racêmica.
  • •Spravato® é escetamina intranasal de indicação psiquiátrica, não uma formulação anestésica substituível.
  • •Arketamina permanece principalmente investigacional em muitos contextos; não há dose anestésica automática cadastrada.

Hemodinâmica e depleção de catecolaminas

Bula oficial

A elevação habitual de pressão e frequência não garante estabilidade. Em choque prolongado, sepse avançada ou depleção catecolaminérgica, depressão miocárdica direta, hipotensão ou descompensação podem aparecer.

Cetamina em comparação

Cetamina × Propofol

Mecanismo
Cetamina antagoniza NMDA e fornece analgesia; propofol é hipnótico GABAérgico sem analgesia relevante.
Hemodinâmica
Cetamina costuma estimular o sistema simpático, mas pode deprimir miocárdio em depleção catecolaminérgica; propofol frequentemente reduz pressão e ventilação.
Diferença prática
A associação pode reduzir doses de cada agente, mas também soma sedação e risco ventilatório. Titular e monitorizar; não existe proporção universal.
Evidência
Comparação farmacológica sustentada por Miller/Barash; benefício clínico depende do contexto.

Cetamina × Etomidato

Mecanismo
Cetamina é dissociativa/analgésica via NMDA; etomidato é hipnótico GABA-A sem analgesia.
Hemodinâmica
Alertas de segurança
  • Reflexos de via aérea relativamente preservados não garantem ventilação nem proteção contra aspiração.
  • Apneia e depressão respiratória podem ocorrer, sobretudo com injeção rápida, dose alta ou associação a depressores do SNC.
  • Laringoespasmo, obstrução e secreções exigem capacidade imediata de manejo de via aérea.
  • Elevação de pressão e frequência é comum, mas hipotensão/descompensação pode ocorrer em depleção catecolaminérgica.
  • Contraindicada quando elevação importante da pressão arterial representaria risco grave, conforme bula consultada.
  • Fenômenos de emergência, alucinações, delirium e nistagmo podem ocorrer.
  • Uso recorrente pode causar lesão hepatobiliar e sintomas urinários/cistite; monitorar conforme exposição.
  • Potencial de abuso, tolerância e dependência; manter controle e rastreabilidade.
  • TCI de cetamina é modelo PK descrito/uso raro; não converter alvo em mL/h e não reproduzir bomba certificada.
  • Cetamina racêmica, escetamina e arketamina não são intercambiáveis mg por mg sem fonte específica.

Ferramenta de apoio para profissionais habilitados. As informações devem ser conferidas com referências atualizadas, protocolos institucionais e julgamento clínico. Não substitui avaliação médica individual.

  • Córtex associativo
  • Tálamo
  • Sistema límbico
  • Medula espinal
  • ↓ influxo de Ca²⁺/Na⁺ e transmissão glutamatérgica
  • Modulação de plasticidade sináptica
Início, duração e metabolismo

Início: Alta lipossolubilidade e perfusão cerebral favorecem início rápido; a velocidade varia com via e administração.

Duração: Redistribuição e biotransformação limitam o efeito após bolus; doses repetidas e norketamina podem prolongar efeitos.

Metabolismo: Metabolismo hepático forma norketamina ativa de menor potência; exposição recorrente aumenta preocupação com acúmulo e toxicidade hepatobiliar/urinária.

Efeitos clínicos
  • Analgesia
  • Amnésia
  • Dissociação
  • Catalepsia
  • Broncodilatação
  • Preservação relativa, não garantida, da ventilação e dos reflexos
Efeitos adversos e racional
  • Fenômenos de emergência e alucinações
  • Nistagmo, aumento de tônus e movimentos
  • Hipersecreção, vômito e laringoespasmo raro
  • Estimulação cardiovascular indireta; hipotensão possível em depleção catecolaminérgica
  • Contraindicada pela bula quando elevação importante da pressão arterial representaria risco grave.
  • Cautela em doença cardiovascular mal controlada, psicose ativa, doença hepática, risco de elevação de pressão intracraniana/intraocular e associações depressoras, conforme fonte e contexto.
Interações mecanísticas
Fármacos associados: Benzodiazepínicos podem reduzir fenômenos de emergência, mas somam sedação e depressão ventilatória. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Fármacos associados: Opioides e outros depressores do SNC aumentam sedação, obstrução e apneia. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Fármacos associados: Simpatomiméticos/vasopressina podem amplificar efeitos hemodinâmicos. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Fármacos associados: Teofilina/aminofilina podem reduzir o limiar convulsivo. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Populações e variabilidade
  • Gestação, extremos de idade e fragilidade alteram farmacocinética e sensibilidade farmacodinâmica; individualizar e monitorizar.
  • Exposição repetida, regulação de receptores e alterações farmacocinéticas podem modificar a resposta; titular pelo efeito clínico.
Pérolas e limitações
  • A resposta simpática depende da reserva de catecolaminas.
  • Reflexos presentes não equivalem a via aérea protegida.
  • Separar cetamina racêmica, escetamina e arketamina por produto, potência, via e indicação.
  • A relação entre mecanismo molecular e resposta clínica não é totalmente linear.
  • Associações anestésicas e comorbidades podem predominar sobre o efeito isolado.

Dosage and Administration — Induction of Anesthesia

Meia-vida

Bula oficial

A bula descreve fase de distribuição de aproximadamente 10–15 minutos e meia-vida terminal em torno de 2,5 horas. Miller descreve aproximadamente 2,5–2,8 horas em adultos saudáveis.

Clinical Pharmacology — Pharmacokinetics

Meia-vida contexto-sensível

Pendente de revisão

Não há um valor único de meia-vida contexto-sensível publicado no cadastro que seja aplicável com segurança a todo regime de infusão. Exposição prolongada, metabólitos ativos e variabilidade individual podem atrasar recuperação.

Repeated exposure and active metabolites

Ligação proteica

Artigo científico

Ligação proteica relativamente baixa, aproximadamente 12%, conforme revisão farmacocinética; o valor depende do método e não define dose isoladamente.

Distribution

Volume de distribuição

Miller

Miller descreve volume de distribuição no estado estacionário de aproximadamente 3,1 L/kg. A alta lipossolubilidade e a ampla distribuição explicam início rápido e redistribuição.

Capítulo 30 — Anestésicos intravenosos

Metabolismo

Bula oficial

Biotransformação hepática principalmente por CYP2B6 e CYP3A4 para norketamina, metabólito farmacologicamente ativo de menor potência, seguida por outras transformações e conjugação.

Clinical Pharmacology — Metabolism

Eliminação

Bula oficial

Metabólitos conjugados são eliminados predominantemente pela urina; pequena fração é excretada como cetamina inalterada. Miller descreve depuração aproximada de 12–17 mL/kg/min.

Clinical Pharmacology — Excretion

Clinical Pharmacology — Excretion; Use in Specific Populations

Insuficiência hepática

Guideline externo

No consenso para dor aguda, doença hepática grave é motivo para evitar infusão subanestésica e doença moderada exige cautela/monitorização. A bula recomenda monitorização hepática em administração recorrente. Não há redução percentual universal.

Contraindications; hepatic dysfunction

Gestação

Bula oficial

Os dados humanos são insuficientes para definir risco fetal em todas as indicações. A experiência é concentrada em contextos obstétricos específicos; não extrapolar para uso eletivo rotineiro. O consenso de dor aguda considera gestação contraindicação relativa para infusão subanestésica.

Use in Specific Populations — Pregnancy

Teofilina ou aminofilina

Crítico

A associação pode reduzir o limiar para convulsões.

Relevância: Maior risco de eventos convulsivos.

Conduta: Evitar associação quando possível ou discutir alternativa/monitorização conforme situação clínica.

Antissialagogos anticolinérgicos

Atenção

Podem reduzir secreções, mas acrescentam efeitos anticolinérgicos e febre.

Relevância: A bula recomenda antissialagogo; ensaio pediátrico não sustenta uso adjuvante rotineiro universal.

Conduta: Individualizar em vez de automatizar pré-medicação; considerar secreções, idade, temperatura e contexto.

  • Paciente cardiopata
  • OSA
  • TCI / IAC
    Modelos PK descritos; disponibilidade limitada e uso não rotineiro.
    Modelo publicado não equivale a indicação regulatória nem a bomba certificada
    Miller e estudo comparativo de modelos
    • •Avaliar volemia, reserva ventricular, isquemia e uso concomitante de simpatomiméticos.
    • •Titular e preparar suporte hemodinâmico; não aplicar redução percentual inventada.

    Ventilação, secreções e via aérea

    Bula oficial

    Preservação relativa de ventilação e reflexos não elimina apneia, obstrução, laringoespasmo, vômito ou aspiração.

    • •Administração IV rápida aumenta risco de depressão respiratória.
    • •Laringoespasmo foi raro, mas documentado em grande revisão pediátrica; exige capacidade imediata de resgate.
    • •Antissialagogo deve ser seletivo: a bula recomenda, enquanto ensaio pediátrico não sustenta uso rotineiro universal.

    Broncodilatação

    Bula oficial

    A cetamina apresenta efeito broncodilatador e pode ser considerada em pacientes com broncoespasmo, mas não substitui terapia broncodilatadora, ventilação adequada ou tratamento da causa.

    • •Secreções, profundidade inadequada e manipulação de via aérea continuam podendo agravar eventos respiratórios.

    Pressão intracraniana e trauma cranioencefálico

    Revisão sistemática

    A advertência histórica de aumento de pressão intracraniana consta na bula. Revisões sistemáticas em pacientes agudamente lesionados, em geral sedados e ventilados, não demonstraram aumento consistente; a qualidade e a heterogeneidade da evidência impedem afirmar superioridade universal.

    • •Considerar ventilação, PaCO₂, pressão arterial, perfusão cerebral, sedação concomitante e monitorização.
    • •Não transformar “não demonstrou dano consistente” em ausência total de risco para todo paciente.

    Pressão intraocular

    Artigo científico

    Elevação de pressão intraocular é relatada na bula. Estudos pediátricos pequenos encontraram aumento discreto/transitório ou sem relevância clínica clara; a evidência não resolve todos os cenários, especialmente globo aberto.

    • •Individualizar e discutir com oftalmologia quando a pressão intraocular ou integridade do globo for crítica.

    Emergência, nistagmo e fenômenos psicomiméticos

    Bula oficial

    Sonhos vívidos, alucinações, delirium de emergência e confusão podem ocorrer; a bula relata incidência aproximada de 12% para reações de emergência em estudos históricos.

    • •Ambiente calmo e menor estimulação durante recuperação são medidas descritas.
    • •Benzodiazepínico pode reduzir reações de emergência, mas acrescenta sedação/depressão ventilatória e não deve ser automatizado.
    • •Nistagmo e olhos abertos podem ocorrer e não significam consciência isoladamente.

    Dor aguda, tolerância a opioides e OSA

    Guideline externo

    O consenso ASRA/AAPM/ASA sustenta considerar cetamina subanestésica em cirurgia dolorosa e em pacientes tolerantes a opioides; para OSA, a evidência como adjuvante para limitar opioides é baixa.

    • •Os limites do consenso são teto de segurança em ambientes específicos, não alvo automático.
    • •Monitorização e seleção do paciente permanecem necessárias mesmo em dose subanestésica.

    Exposição recorrente, hepatotoxicidade, cistite e abuso

    Bula oficial

    Uso recorrente ou abuso foi associado a elevação de enzimas, lesão hepatobiliar/colangiopatia, sintomas urinários/cistite, tolerância, dependência e outros danos.

    • •Monitorar função hepática quando a administração for recorrente.
    • •Dor urinária, hematúria ou sintomas de trato urinário merecem avaliação.
    • •Cetamina é substância controlada nos EUA (Schedule III); regras variam por país.

    Pediatria

    Bula oficial

    A cetamina é amplamente estudada em sedação pediátrica, mas dose, via e monitorização dependem do procedimento e do ambiente. A bula racêmica dos EUA consultada informa que segurança e eficácia abaixo de 16 anos não foram estabelecidas para suas indicações; isso é status regulatório, não prova de ineficácia.

    • •Aplicar guideline específico de sedação pediátrica e capacidade de resgate.
    • •Não extrapolar automaticamente formulações, vias ou doses adultas.

    Dor crônica e uso antidepressivo: conteúdo separado

    Bula oficial

    Evidência e produtos para depressão ou dor crônica não devem ser misturados com doses anestésicas. Escetamina intranasal possui bula, monitorização e indicação próprias.

    • •Esta página não fornece regime automático para depressão, dor crônica ou uso domiciliar.
    Etomidato preserva hemodinâmica relativa, mas suprime esteroidogênese; cetamina pode elevar pressão/FC ou causar hipotensão na depleção catecolaminérgica.
    Diferença prática
    Escolha exige ponderar broncoespasmo, reserva miocárdica, supressão adrenal, analgesia, via aérea e objetivos do caso.
    Evidência
    Não há superioridade universal; evitar rótulos simplificados de “mais seguro”.

    Referência e ferramentas para anestesiologia.

    Plataforma de anestesiologia para consulta clínica, estudo, referência e ferramentas perioperatórias.

    Ferramenta de apoio para profissionais habilitados. As informações devem ser conferidas com referências atualizadas, protocolos institucionais e julgamento clínico. Não substitui avaliação médica individual.

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    Conteúdo clínico em revisão contínua, apoiado por Miller, Barash, guidelines e fontes regulatórias quando aplicável.

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