Codeína | AnesBase
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Revisado

Opioides

Codeína

Pró-fármaco opioide / agonista µ via morfina

Nome comercial cadastrado: Codex® (codeína + paracetamol; apresentação brasileira consultada)

VO
DosesMecanismoPK/PDEfeitosAjustesAlertasInteraçõesReferências

01 · Analgesia oral

Dor em adulto
Baseado em bula oficial

Faixa prática

15–60 mg VO a cada 4 h se necessário; máximo 360 mg/dia na bula

DailyMed/Codeína

15–60 mg VO a cada 4 horas se necessário; máximo 360 mg em 24 horas.

A cada 4 h se necessário

  • Monitorar ventilação, sedação e oxigenação; titular ao efeito e às associações.
Calculadora

Resultado calculado

15–60 mg

Com os valores informados localmente

Mecanismo em movimento

Do alvo ao efeito de Codeína.

A sequência visual organiza o mecanismo já revisado no banco. O conteúdo farmacológico completo permanece logo abaixo.

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OpioideReceptor μGi/oAntinocicepçãoOpioideReceptor μGi/oAntinocicepção
01

receptor

μ-opioide

Gi/o → ↓ Ca²⁺, ↑ K⁺ e ↓ nocicepção

02

Transdução

O sinal muda

Gi/o → ↓ AMPc

03

Efeito clínico

Analgesia

Ativa receptores opioides, sobretudo μ, reduzindo transmissão nociceptiva e a resposta autonômica ao estímulo.

04

Mesmo mecanismo, outro contexto

Benefício e risco coexistem

Depressão ventilatória

Revisado e publicadoMiller + Barash

Mecanismo de ação

Ativa receptores opioides, sobretudo μ, reduzindo transmissão nociceptiva e a resposta autonômica ao estímulo.

DosesAlertasComparar mecanismos
AlvoReceptor μ
TransduçãoGi/o
Resultado↓ Nocicepção
Diagrama esquemático original; não representa escala anatômica ou molecular.
Alvo e mecanismo primário

Agonismo μ acoplado à proteína Gi/o, com menor adenilil ciclase, menor entrada de Ca²⁺ pré-sináptico e maior saída de K⁺ pós-sináptico.

receptor

μ-opioide · agonista

Gi/o → ↓ Ca²⁺, ↑ K⁺ e ↓ nocicepção. Analgesia

Vias e sítios de ação
Alertas de segurança ligados ao mecanismo
  • Depressão ventilatória pode persistir ou recorrer após antagonização; monitorizar adequadamente.

Referências do mecanismo

2 referênciasMillerBarash
Efeitos clínicos por sistema

Cardiovascular

Bula oficial

Pode causar hipotensão e síncope, sobretudo em hipovolemia e com depressores.

Warnings — severe hypotension

Respiratório

Bula oficial

Pode causar depressão respiratória fatal. Metabolizadores ultrarrápidos podem gerar concentrações perigosas de Morfina mesmo com doses rotuladas.

Boxed warning; CYP2D6 ultra-rapid metabolism

Neurológico / SNC

Bula oficial

Analgesia, sedação, miose, tontura e dependência; a resposta é altamente variável.

Adverse reactions; clinical pharmacology

Renal / hepático

Bula oficial

Morfina/metabólitos e Codeína dependem de metabolismo e excreção; rim/fígado comprometidos exigem cautela.

Use in specific populations

Farmacocinética e farmacodinâmica

Início de ação

Miller e Barash

Via oral e bioconversão tornam início menos previsível que opioides IV.

Miller/Barash — oral opioids

Pico

Bula oficial

Pico depende de absorção e CYP2D6; não é ferramenta de titulação anestésica IV.

Clinical pharmacology

Duração

Bula oficial

Duração analgésica varia com bioconversão e função orgânica.

Clinical pharmacology

Meia-vida

Bula oficial
Ajustes e populações especiais

Idoso

Bula oficial

Maior sensibilidade e função orgânica reduzida elevam risco de sedação/ventilação inadequada.

Geriatric use

Obesidade

Miller e Barash

Não há regra automática por peso; OSA e variabilidade metabólica dominam a avaliação.

Miller/Barash — obesity

Insuficiência renal

Bula oficial

Metabólitos podem acumular; usar cautela e considerar alternativa conforme contexto.

Renal impairment

Interações importantes

Agonistas parciais ou agonistas-antagonistas opioides

Alerta

Podem reduzir analgesia de agonista pleno ou precipitar retirada em pessoa dependente.

Relevância: Resposta analgésica imprevisível e possível abstinência.

Conduta: Revisar exposição crônica e plano perioperatório; não compensar automaticamente com dose maior.

Benzodiazepínicos, hipnóticos, álcool e outros depressores do SNC

Crítico

Somação de sedação, perda do tônus de via aérea e depressão ventilatória/hemodinâmica.

Relevância: Pode causar sedação profunda, obstrução, apneia, hipotensão, coma e morte.

Conduta: Titular separadamente, monitorizar ventilação e manter capacidade de resgate.

Relações clínicas

Monitorização relacionada

  • Capnografia
  • BIS / EEG processado
  • Oximetria

Técnicas relacionadas

  • Analgesia multimodal
  • Técnicas poupadoras de opioide
  • Sedação / MAC

Anestesias complexas relacionadas

  • Obesidade
  • OSA

Referências e rastreabilidade

6 referênciasMillerBarashANVISA+3
Apresentações e formulações

Confirme fabricante, concentração, excipientes e rotulagem da apresentação realmente disponível.

Codeine Sulfate Tablets

Estados Unidos

Comprimido oral · 15 mg, 30 mg e 60 mg conforme apresentação consultada

Frasco conforme fabricante

Sulfato de codeína

Referência internacional; confirmar apresentações brasileiras.

Codex®

Brasil

Comprimido combinado · Paracetamol 500 mg + Codeína 30 mg

Embalagem conforme registro consultado

Paracetamol + fosfato de codeína

Apresentação brasileira consultada na base oficial da ANVISA; conferir registro/embalagem vigente.

Vias, usos e status regulatório

VO · Dor que requer opioide

Revisado

Indicação rotulada em adultos; fortes restrições pediátricas.

Estados Unidos · DailyMed — Codeine sulfate

Contextos clínicos, segurança e controvérsias

Codeína é um pró-fármaco variável

Tópico clínicoBula oficial

A bioconversão para Morfina explica eficácia insuficiente em metabolizadores lentos e toxicidade em ultrarrápidos.

  • •Genótipo/fenótipo não pode ser inferido pela dose.
  • •Falha analgésica não justifica escalada cega.
  • •CYP2D6 é central para pediatria e lactação.

Restrições pediátricas

Tópico clínicoBula oficial

A rotulagem consultada contraindica menores de 12 anos e uso pós-tonsilectomia/adenoidectomia em menores de 18 anos.

Comparação clínica

Codeína × Morfina

Mecanismo
Codeína depende em parte da conversão CYP2D6 em Morfina; Morfina já é agonista ativo.
Hemodinâmica
Ambas podem deprimir ventilação; na Codeína, CYP2D6 acrescenta imprevisibilidade de eficácia e toxicidade.
Diferença prática
Codeína é oral e possui restrições pediátricas/farmacogenéticas próprias; não usar equivalência fixa.
Evidência
Comparação qualitativa sustentada por CPIC e rotulagem.
Alertas de segurança
  • Evitar Codeína em metabolizadores pobres ou ultrarrápidos conforme CPIC; não compensar falha aumentando a dose empiricamente.
  • Aplicar as contraindicações e restrições respiratórias da jurisdição; não extrapolar doses adultas.
  • Contabilizar separadamente Codeína e paracetamol para evitar duplicidade e excesso diário.

Ferramenta de apoio para profissionais habilitados. As informações devem ser conferidas com referências atualizadas, protocolos institucionais e julgamento clínico. Não substitui avaliação médica individual.

  • Corno dorsal da medula
  • Tronco encefálico
  • Circuitos supraespinais
  • Gi/o → ↓ AMPc
  • ↓ liberação de neurotransmissores nociceptivos
Início, duração e metabolismo

Início: Equilíbrio plasma–sítio de efeito e lipossolubilidade governam o início.

Duração: Redistribuição, metabolismo e meia-vida contexto-sensível definem a duração.

Metabolismo: A via metabólica e metabólitos ativos distinguem acúmulo e duração entre opioides.

Efeitos clínicos
  • Analgesia
  • Atenuação da resposta ao estímulo
  • Sedação
Efeitos adversos e racional
  • Depressão ventilatória
  • Bradicardia
  • Rigidez de parede torácica em administração rápida de altas doses
  • Maior risco com apneia do sono, fragilidade e associação com sedativos.
Interações mecanísticas
Fármacos associados: Sinergismo com hipnóticos e anestésicos inalatórios aumenta depressão ventilatória e hipnose. Conduta: Titular, monitorizar e revisar o plano anestésico.
Populações e variabilidade
  • Gestação, extremos de idade e fragilidade alteram farmacocinética e sensibilidade farmacodinâmica; individualizar e monitorizar.
  • Exposição repetida, regulação de receptores e alterações farmacocinéticas podem modificar a resposta; titular pelo efeito clínico.
Pérolas e limitações
  • Separar analgesia de hipnose e titular ao estímulo.
  • A relação entre mecanismo molecular e resposta clínica não é totalmente linear.
  • Associações anestésicas e comorbidades podem predominar sobre o efeito isolado.

A meia-vida da Codeína isolada não captura exposição à Morfina e seus conjugados.

Clinical pharmacology

Meia-vida contexto-sensível

Miller e Barash

Não se aplica como modelo de infusão anestésica/TCI.

Miller/Barash — PK contextual

Ligação proteica

Miller e Barash

Não é o principal determinante da variabilidade clínica; CYP2D6 e idade têm maior destaque.

Miller/Barash — oral opioids

Volume de distribuição

Miller e Barash

Distribuição sistêmica segue absorção oral; não usar para cálculo por peso perioperatório.

Miller/Barash — oral opioids

Metabolismo

Guideline externo

O CYP2D6 forma Morfina; outras vias geram metabólitos como codeína-6-glicuronídeo e norcodeína. A atividade clínica e o risco variam com o fenótipo, interações e função orgânica.

Codeine metabolism and CYP2D6 phenotype

Eliminação

Bula oficial

Droga e metabólitos são eliminados pelos rins.

Clinical pharmacology

Insuficiência hepática

Bula oficial

Bioconversão e depuração podem ser alteradas; titular/evitar conforme contexto.

Hepatic impairment

Gestação

Bula oficial

Uso prolongado pode causar retirada neonatal; amamentação é contraindicada na rotulagem consultada pelo risco de excesso de Morfina em metabolizadores ultrarrápidos.

Pregnancy/lactation

Inibidores/indutores CYP2D6 e CYP3A4

Crítico

Mudam formação de Morfina e exposição à Codeína.

Relevância: Perda de analgesia, retirada ou toxicidade respiratória.

Conduta: Revisar medicamentos e observar após cada alteração; não converter dose automaticamente.

Dor crônica
  • •Não extrapolar dose adulta.
  • •OSA pós-tonsilectomia amplia risco.
  • •Conferir regulamentação local, que pode ser ainda mais restritiva.

Analgesia não é hipnose

Tópico clínicoMiller e Barash

O efeito opioide é predominantemente analgésico/antinociceptivo. Não garante inconsciência, amnésia ou imobilidade.

  • •BIS não mede diretamente analgesia.
  • •Resposta motora, autonômica e memória são desfechos diferentes.
  • •Associação com hipnótico eleva risco respiratório e cardiovascular.

Ventilação e via aérea

Efeito adversoBula oficial

Ativação μ reduz a resposta ventilatória ao CO₂, pode diminuir frequência respiratória e produzir padrão irregular, sedação, obstrução ou apneia.

  • •O risco depende de dose, velocidade, idade, OSA e associações.
  • •Oxigênio suplementar pode retardar a queda de SpO₂ apesar de hipoventilação.
  • •A avaliação exige observação clínica e capnografia quando indicada.

Tolerância, dependência física e OUD

PrecauçãoBula oficial

Tolerância, dependência física e transtorno por uso de opioides são conceitos diferentes e não devem ser usados como sinônimos.

  • •Não aplicar multiplicador automático de dose.
  • •Evitar retirada abrupta de terapia crônica sem plano.
  • •Integrar analgesia multimodal, regional e coordenação com a equipe assistente.

Antagonização com Naloxona

MonitorizaçãoBula oficial

Naloxona pode reverter depressão respiratória, mas também analgesia, e pode precipitar dor, resposta simpática ou retirada.

  • •Via aérea e ventilação não devem aguardar o antagonista.
  • •Pode ocorrer renarcotização quando o opioide dura mais que a Naloxona.
  • •Titular ao objetivo clínico e manter reavaliação.

CYP2D6: eficácia e toxicidade

FarmacodinâmicaGuideline externo

Metabolizadores pobres podem ter analgesia insuficiente; ultrarrápidos podem formar Morfina em excesso e desenvolver toxicidade grave mesmo com doses usuais.

  • •CPIC recomenda evitar Codeína em metabolizadores pobres e ultrarrápidos.
  • •Não aumentar empiricamente a dose em metabolizador pobre.
  • •Interações com inibidores de CYP2D6 podem modificar o fenótipo funcional.

Pediatria e via aérea

ContraindicaçãoBula oficial

Na rotulagem dos EUA consultada, Codeína é contraindicada abaixo de 12 anos e abaixo de 18 anos após tonsilectomia/adenoidectomia; deve ser evitada em adolescentes com fatores de risco respiratório.

  • •OSA e obesidade aumentam a preocupação.
  • •Restrições regulatórias variam por jurisdição; confirmar a regra local.
  • •Não extrapolar uma dose adulta para pediatria.

Amamentação

População especialBula oficial

A rotulagem dos EUA desaconselha amamentar durante o tratamento, devido ao risco de exposição excessiva do lactente, especialmente com metabolismo ultrarrápido materno.

  • •Observar a jurisdição da recomendação.
  • •Não presumir segurança por ser pró-fármaco.
  • •Se uso for considerado, exige decisão clínica e fonte local atual.

Codeína + paracetamol

MonitorizaçãoBula oficial

No Brasil existem apresentações combinadas; o plano deve contabilizar separadamente ambos os princípios ativos.

  • •Somar todo o paracetamol diário de prescrições concomitantes.
  • •Não confundir mg do comprimido com mg de Codeína.
  • •A apresentação consultada contém 500 mg de paracetamol + 30 mg de Codeína por comprimido; confirmar embalagem e registro.

Papel perioperatório

Tópico clínicoGuideline externo

É um analgésico oral para contextos selecionados, não um agente de indução, hipnose, TIVA ou titulação IV intraoperatória.

  • •Analgesia não é hipnose.
  • •A variabilidade metabólica limita previsibilidade.
  • •Reavaliar se a via oral e o tempo até efeito são compatíveis com o objetivo.

Função renal e hepática

População especialBula oficial

Metabolismo hepático e eliminação de droga/metabólitos exigem cautela na disfunção orgânica; não existe ajuste automático universal nesta página.

  • •Evitar redose baseada apenas em dor sem avaliar sedação/ventilação.
  • •Hepatopatia também modifica a segurança de produtos com paracetamol.
  • •Considerar idade e coadministrações.

Referência e ferramentas para anestesiologia.

Plataforma de anestesiologia para consulta clínica, estudo, referência e ferramentas perioperatórias.

Ferramenta de apoio para profissionais habilitados. As informações devem ser conferidas com referências atualizadas, protocolos institucionais e julgamento clínico. Não substitui avaliação médica individual.

Plataforma

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Conteúdos

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  • Técnicas anestésicas
  • Bloqueios periféricos

Conteúdo clínico em revisão contínua, apoiado por Miller, Barash, guidelines e fontes regulatórias quando aplicável.

Versão 0.1.0 · revisão contínua

© 2026 AnesBase

Decisão clínica

  • Anestesias complexas
  • Protocolos e checklists
  • Pediatria
  • Modo crise

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